Turismo sexual e Olimpíadas: quebrando tabus

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Aconteceu ontem (16/06), no Rio de Janeiro, o debate “Turismo sexual e Olimpíadas”.
 
A menos de dois meses para a Olimpíada no Rio de Janeiro, o Comitê Popular da Copa e Olimpíadas e a Marcha das Vadias convidaram  para debater megaeventos, turismo sexual e regulamentação da prostituição.
A cidade do Rio de Janeiro tem passado por enormes transformações urbanas sob a justificativa de “preparar” a cidade para receber um calendário de grandes eventos – Copa do Mundo, Jornada Mundial da Juventude e, agora, os Jogos Olímpicos. Ao contrário do discurso do legado propagandeado pelo poder público e seus aliados econômicos, o que temos vivenciado é a Olimpíada funcionando como um verdadeiro instrumento de legitimação e aprofundamento das desigualdades socioespaciais da cidade carioca.
 
Nesse jogo, uma grande parcela da população é violentada, com a volta da política das remoções, da militarização das favelas e periferias, o aumento do recolhimento da população em situação de rua e da perseguição aos camelôs e às prostitutas.
 
A crítica aos megaeventos tem se tornado cada vez mais presente na sociedade, no entanto, o debate sobre a prostituição ainda é bastante silenciado. Muitos discursos misturam prostituição com exploração sexual de mulheres e crianças, o que apenas agrava o estigma e perseguição às prostitutas e dificulta o efetivo combate à exploração sexual. Esses discursos acabam também condenando o turismo sexual, ao passo que as prostitutas ativistas querem a regulamentação de sua profissão para lhes garantir direitos trabalhistas e, inclusive o de receber turistas que buscam sexo pago de forma segura.
 
 
As debatedoras foram:
 
>>> Indianare-se / Indianara Siqueira, prostituta, ativista transfeminista, presidenta do grupo TransRevolução e idealizadora do PreparaNem
>>> Amara Moira, travesti, putafeminista, doutoranda em teoria literária, autora do livro “E Se Eu Fosse Puta” e pré-candidata a vereadora em Campinas
>>> Monique Prada, ativista, putafeminista, escritora do blog Cortesã Moderna, organizadora do mundo invisível.org, presidenta da CUTS – Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais
>>> Larissa Lacerda, militante do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio
>>> Laura Murray, Documentarista, Pesquisadora do Observatório de Prostituição/UFRJ e do Instituto de Medicina Social/UERJ e ativista do Coletivo Davida  

Fonte:  Observatório da Prostituição

Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais da Pastoral da Mulher – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais. 
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