Sob diversas formas e intensidades, a violência doméstica e familiar contra as mulheres é recorrente e presente no mundo todo, motivando crimes hediondos e graves violações de direitos humanos.
- 35 mulheres foram agredidas física ou verbalmente por minuto no Brasil em 2022.
- 28,9% (18,6 milhões) das mulheres relataram ter sido vítima de algum tipo de violência ou agressão, o maior percentual da série histórica do levantamento.
- 65,6% negras
- 30,3% tem entre 16 a 34 anos
- Mais de 50% moram em cidades do interior
Estes dados são da pesquisa “Visível e Invisível – A Vitimização de Mulheres no Brasil – 4ª edição – 2023” encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Instituto Datafolha e com apoio da Uber. A pesquisa ouviu homens e mulheres, em 126 municípios brasileiros, no período de 9 a 13 de janeiro de 2023.
Em Juazeiro-BA, não diferente da conjuntura nacional, os noticiários cotidianamente divulga casos de violências contra a mulher em diferentes situações, que vão desde o ambiente doméstico até os mais variados espaços públicos.

Para a equipe da Pastoral da Mulher, instituição que há 44 anos desenvolve um trabalho social com mulheres em contexto de prostituição e vulnerabilidades sociais na cidade, com objetivo prestar assistência e acompanhamento as mulheres, a fim de assegura-las diretos de cidadania e acesso a políticas públicas, através de ações socioeducativas, articulação e encaminhamento à rede socio assistencial, dói receber cada relato ou comunicado de mais um feminicídio ou atentado à vida de mulheres, sobretudo daquelas acompanhadas pela Pastoral.
Não se pode normalizar a brutalidade das relações, a falta de sensibilização e a impunidade sobre crimes. Não se pode silenciar perante o sofrimento e o medo que se instala. Não se pode esquecer de que cada ser humano tem uma rede de pessoas que compartilha sonhos, afetos e responsabilidades.
Diante dessa realidade e com imenso PESAR, a equipe recebeu a notícia do BRUTAL assassinato de uma das mulheres acompanhadas pela instituição, no dia 23 de março e reivindica enquanto Igreja evidenciar o seu papel na defesa da vida e na denúncia de todas as estruturas injustas, que geram a violência e que permitem que as mulheres sejam reféns dentro de seus lares. Lutar contra a violência doméstica também é lutar contra uma pandemia.
Além da cultura patriarcal e do machismo que ainda se perpetua no século XXI e corrobora com a violência contra mulher, todos vivenciaram nos últimos 4 anos o desmonte das políticas públicas voltadas para a proteção das mulheres, com cortes no orçamento e consequentemente precarização dos serviços prestados.

O Estado brasileiro precisa garantir que haja não apenas leis para punir os agressores, mas também iniciativas para prestar apoio e acolhimento às vítimas de violência doméstica. E as mulheres precisam utilizar os instrumentos que estão a seu dispor: Delegacia da Mulher, Lei Maria da Penha, lei do feminicídio, Ronda Maria da Penha, canais de denúncia e etc.
A Pastoral da Mulher celebrou uma missa na Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Bairro Aliança, na noite da terça-feira (28) com o intuito de expressar suas condolências aos familiares e amigas (os) e a profunda preocupação com todas as mulheres atendidas pela instituição.
A equipe da Pastoral da Mulher segue em vigilância, denúncia e em luta pela transformação social, por justiça e pela vida de cada uma.
“Por todas nós, nos queremos vivas”