O encontro, a escuta, o diálogo e o trabalho em rede em defesa da vida

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Mais um momento do Cirandas Parceiras foi promovido pela Pastoral da Mulher – Rede Oblata, em Juazeiro- BA, fortalecendo aquilo que move essa iniciativa desde 2015: o encontro, a escuta, o diálogo e o trabalho em rede em defesa da vida, da dignidade das mulheres e dos públicos em situação de maior vulnerabilidade social.

Com o tema “Tecendo redes para enfrentar a violência contra a mulher”, a atividade contou com a participação de Paula Galrão, diretora de Gênero e Diversidade da UNIVASF e pesquisadora dedicada às políticas públicas de gênero na região do Vale do São Francisco. A convite da Pastoral da Mulher, a socióloga apresentou dados e provocou reflexões que ultrapassam a compreensão da violência apenas como um problema a ser prevenido.

Durante sua fala, Paula destacou a importância da educação para relações respeitosas e igualitárias desde a infância. Refletiu sobre a forma como ensinamos meninos e meninas a conviver, a lidar com as diferenças, a expressar emoções sem violência e a reconhecer a dignidade de cada pessoa. Nessa perspectiva, a cultura do cuidado e do respeito não surge espontaneamente: ela é aprendida, praticada e multiplicada nas relações familiares, escolares e comunitárias.

“A violência contra mulher se configura como um fenômeno que é estrutural e multicausal em nossa sociedade. Antes da violência propriamente dita acontecer, sujeitos sociais são formados por meio de experiências culturais solidificadas no tempo e perpetradas pelas mais diferentes vias, como a educação familiar, escolar, a mídia, e tantos outros. Diante de um fenômeno tão multifacetado, precisamos de ações igualmente complexas, estruturais e intersetoriais. Nesse sentido, as Cirandas Parceiras assumem um protagonismo na cidade de Juazeiro-BA, ao articular diferentes setores da sociedade, direta ou indiretamente relacionado ao fenômeno, para que medidas, ações e políticas sejam refletidas e articuladas.
Assim, ao pensarmos em espaços de articulação social, pensamos, acima de tudo, em promover ambientes onde diversas vozes e experiências possam ser ouvidas. Nesse sentido, podemos compreender e articular como a violência de gênero dialoga com a educação, a saúde mental, a assistência social, a sociologia, e o direito, por exemplo, para pensarmos em soluções que realmente sejam eficazes para dirimir o problema.”

pAULA gALRÃO

A reflexão conduzida no encontro reforçou que pensar em espaços de articulação social é, acima de tudo, promover ambientes onde diferentes vozes e experiências possam ser acolhidas e ouvidas. É nesse diálogo que se torna possível compreender como a violência de gênero se relaciona com áreas como educação, saúde mental, assistência social, sociologia e direito, permitindo a construção de respostas mais eficazes e comprometidas com a transformação da realidade.

Ana Célia – Integrante da Rede Um Grito Pela Vida/UNIVASF, destacou “que este é um espaço de articulação e reflexões importantes para o enfrentamento às diferentes situações de vulnerabilidades sociais e violências sofridas pelas mulheres, na sociedade brasileira, e, particularmente em Juazeiro. Como membro da Rede Um Grito pela Vida, que faz um trabalho de prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas, vi no Cirandas Parceiras, um espaço de resistência, articulação e fortalecimento da luta social pelo direito à vida, das mulheres e populações vulneráveis. Parabenizo a Pastoral da Mulher e agradeço a rica oportunidade que tivemos nesta manhã.”

As Cirandas Parceiras, iniciativa da Pastoral da Mulher, têm justamente esse propósito: reunir profissionais, serviços, instituições e pessoas comprometidas com ações conjuntas em favor da qualidade de vida e da garantia de direitos das mulheres. Porque ninguém enfrenta a violência sozinho.

Seguimos tecendo redes, unindo saberes, fortalecendo parcerias e acreditando que a transformação social nasce quando muitas mãos se comprometem com a mesma causa.


Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais da Pastoral da Mulher – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais. 
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