Capacitação da equipe

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A Pastoral da Mulher reconhece a importância da capacitação de seus agentes como ferramenta para o desenvolvimento de novas reflexões em relação ao trabalho e a abordagem às mulheres assistidas. Com este intuito, a instituição está promovendo um ciclo de estudo sobre prostituição para a equipe, baseados nos seguintes artigos acadêmicos:

  • A prostituição no Brasil: trabalho, silêncio e marginalização. (Isabela Pesce Storolli Rissio)
  • Prostituição: patologia, trabalho, prazer? O discurso de mulheres prostitutas. (Roberto Mendes Guimarães)
  • As vozes de mulheres profissionais do sexo sobre a legalização do seu trabalho: Discurso e gênero (Sandro Xavier da Silva)
  • Prostituição, gênero e direitos: noções e tensões nas relações entre prostitutas e Pastoral da Mulher Marginalizada. (Andreia Skackauskas Vaz de Mello)
  • A prostituição feminina no Brasil: da “questão de polícia” à conquista de direitos. (Tatiane Michele Melo de Lima) 
  • Para além da tensão entre moral e economia. Reflexões sobre a regulamentação da prostituição no Brasil (Rossana Maria Marinho Albuquerque)
  • Silenciosas e silenciadas: descortinando as violências contra a mulher no cotidiano da prostituição em Natal/RN (Maria Ilidiana Diniz) 

As formações têm acontecido por meio de encontros virtuais onde cada agente aborda um dos artigos da maneira que desejar e ao final há a interação de todos na troca de reflexões vinculadas às experiências do cotidiano.

Na manhã do dia 26/10 houve a apresentação de Fernanda Nunes, educadora social com o tema “Prostituição: patologia, trabalho, prazer? O discurso de mulheres prostitutas. (Roberto Mendes Guimarães)”

“O ciclo de estudos sobre a prostituição é importante pela possibilidade que nos dá de obter conhecimento sobre ela através de várias vertentes. O trabalho apresentado que teve como objetivo mostrar a prostituição como um trabalho, prazer e patologia, através de várias pesquisadoras e estudiosas que tinham visões, estudos e reflexões sobre ela nesses três eixos. Para analisá-la, ele optou por ouvir as experiências de 10 colaborados que tinham entre 18 e 30 anos pertencentes às classes sociais A e B, algumas trabalhavam em casas noturnas, outras na própria casa e outras optaram pelo anúncio na internet ou jornais. Através desse trabalho podemos conhecer as diferentes realidades de outras mulheres que exercem a prostituição e as visões dela como um trabalho, prazer e patologia de acordo com as vivências e declarações analisadas pelo olhar das reflexões e teorias das estudiosas”.

Fernanda Nunes – Educadora Social – Pastoral da Mulher

Através das capacitações, é possível que as agentes possam adotar um novo posicionamento frente às questões sociais, tais como o machismo que alimenta as desigualdades e o estigma que funciona como um fator de descrédito para as mulheres que se prostituem. As reflexões ressoam como possibilidades de novos caminhos de atuação e abordagem, buscando a transformação social.

Para Railane Delmondes, educadora social nossa capacitação sobre a temática é constante, visto que o tema não se esgota e infelizmente ainda são poucos os estudos sociais, antropológicos, históricos e psicológicos sobre a prostituição e todo o seu contexto. Considero basilar a constante capacitação, pois possibilita que o processo de aprendizagem flua, que a equipe se renove e direcione o trabalho, principalmente no atual contexto social em que precisamos nos reinventar para continuarmos atuando e possibilitando condições de acesso aos direitos das mulheres que exercem a prostituição”.

As formações demandam tempo, estudo, bem como recursos tecnológicos e áudio visuais, mas mesmo atendendo ao público da instituição através da ‘acolhida virtual’ e desempenhando as demais atividades em home office por conta da COVID-19, acreditamos que esses momentos podem, além de agregar conhecimento, proporcionar resultados nunca antes imaginados frente aos nossos objetivos.

Dessa forma, seguimos cientes que para impulsionar a mudança da realidade do nosso público é importante, além de identificar a necessidade das mulheres, investir em um calendário para treinamentos frequentes. Essa estratégia proporciona aprimoramento constante e integração entre a equipe.

Imagem de Alexandra_Koch por Pixabay

Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais da Pastoral da Mulher – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais. 
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