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40 anos da chegada das Irmãs Oblatas à cidade de Juazeiro – BA

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Em 29 de abril de 1981, as Irmãs Oblatas, a convite do então bispo de Juazeiro, Dom José Rodrigues, chegaram à cidade para assumir a coordenação do trabalho desenvolvido com mulheres na Escola Senhor do Bonfim, fundada em 1978 com o nome inicial de Escola São José. Vieram inicialmente as irmãs Mercedes, Marlene e Idolina, acompanhadas de então Provincial de São Paulo Ir. Maria Dolores.

A partir da chegada das irmãs, a escola passou a fazer parte da Congregação que está vinculada ao Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, presente em 15 países e possui quatro unidades no Brasil, sendo elas nos estados de SP, BH e BA.

A Escola Senhor do Bonfim, com seus diversos cursos, se destina à recuperação e promoção social das prostitutas. Nas periferias de Juazeiro, devem existir umas duas mil prostitutas, produto de nossa situação sócio-político-econômica. Pois bem, o carisma dessas Irmãs é trabalhar com as prostitutas. Que sua presença e trabalho entre nós seja a expressão da referência de Jesus pelos mais pobres e abandonados de seu rebanho. Sejam felizes! E lembrem à nossa sociedade as palavras sérias de Jesus:

“As prostitutas vos precedem no Reino de Deus (Mt 21, 31).

(Caminhar Juntos 1981 / Diocese de Juazeiro – BA)

A escola possuía como objetivo capacitar profissionalmente as mulheres que se prostituíam, ajudando-as a descobrirem seus valores, criando uma consciência crítica, a fim de que elas percebessem toda exploração de que eram vítimas.

Antigamente a escola também funcionava como creche e atendia não só as prostitutas, mas as mulheres da comunidade. Eram oferecidos cursos de datilografia, corte e costura, pintura, alfabetização e outros.

Em meados de 1996, a creche foi fechada e a escola iniciava o processo de transição para a Pastoral da Mulher de Juazeiro, onde a partir daí o trabalho passou a ser direcionado.

A Pastoral da Mulher possui como missão a promoção e o empoderamento das mulheres que exercem a prostituição em contexto de vulnerabilidade social, desenvolvendo ações de cunho socioeducativo, buscando o fortalecimento das mulheres e o desenvolvimento da consciência crítica para a superação do estigma social.

O trabalho é desenvolvido nos locais onde as mulheres exercem a prostituição, seja em bares, boates, ruas e também em postos de combustível. No momento de aproximação à realidade, a equipe apresenta o trabalho da pastoral e explana algumas temáticas inerentes ao contexto. A mulher também pode se dirigir até a sede e receber os serviços que são ofertados durante a semanal. Na sede ela passa por uma triagem, onde se realiza um levantamento de suas demandas. Lá ela encontra: escuta ativa, atendimento psicológico, encaminhamentos jurídicos e sociais, rodas de conversa, auriculoterapia, celebrações, encontros culturais e outros.

No universo da prostituição em nossa cidade destacamos que a maioria das mulheres são jovens, vindas de outros estados e municípios, demonstrando a preferência de não exercer a atividade em sua cidade de origem.

Na caminhada pela garantia de direitos humanos, se faz necessário a junção de forças, e a instituição acredita na sensibilização social e solidificação de parcerias com profissionais e instituições da rede pública e privada da região, que contribuem com um atendimento mais humanizado e mais qualificado ao público.

Devido à necessidade de isolamento social por conta da pandemia do novo Coronavírus, num primeiro momento as mulheres se afastaram do contexto de prostituição, mas posteriormente retornaram devido ao surgimento de vulnerabilidades sociais e necessidades básicas. Com o fechamento da sede, seguindo todos os protocolos e medidas de segurança, a pastoral passa a atuar com o atendimento virtual, garantindo as escutas, os acompanhamentos e os encaminhamentos necessários ao público.

Respeitando a diversidade religiosa, a espiritualidade é uma das bases utilizadas no contato da equipe com as mulheres e toda atuação é respaldada nos princípios de Pe. Serra e Madre Antônia, fundadores da Congregação das Irmãs Oblatas. A equipe crê nas mulheres enquanto protagonistas de seu próprio processo e caminha junto com elas rumo a um caminho de libertação e promoção da mesma.

Para conhecer mais sobre o trabalho da Pastoral da Mulher e demais unidades Oblatas acesse oblatassr.org ou consulte Rede Oblata Brasil nas redes sociais.

Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais da Pastoral da Mulher – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais. 
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